Editing / 7:22
1080 × 1920Hugo Germano: Performance Edit
A movement-led Giramundo piece featuring Hugo Germano among trees and textured walls. Close body details and wider gestures share the vertical frame, including raised arms and turns through the outdoor space.
Editing7:22 · Portrait
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O que foi, gente? Por que vocês estão me olhando desse jeito? Hã? Por quê? Ah, é por causa disso, é? Ah, desculpa, gente. É que eu tenho um sorriso muito espontâneo, sabe? Sabe quando a gente tá conversando com a pessoa? Oi, tudo bem? Como você... Oh, tô no giramundo aqui, olha... E nasce o sorriso, é. E eu sempre fui assim, desde pequenininho. Porque mamãe, mamãe sempre se preocupou comigo desde que era desse tamanhinho assim, ó. É. Mamãe sempre olhava pra mim e dizia... Astrogildo, meu filho! Astrogildo, você tem que crescer na vida, meu filho! Mas você é preto! E preto pra crescer tem que ser melhor em tudo! Então, Astrogildo, Astrogildo, sorria! Sempre sorria! Por mais que você esteja cansado, sobrecarregado, até mesmo sendo explorado, meu filho! Sorria. Porque um sorriso vale muito. E aqui estou eu, gente, sempre sorrindo. Eu vou contar uma coisa para vocês. Quando eu era pequenininha assim e fui para a escola, era muito ruim a escola. Tinha umas crianças que olhavam para mim e saiam correndo. outras se escondiam, tinha uma, essa era a pior de todas, ela tinha uma roupa comprida, um coque amarrado assim na cabeça, essa apontava pra mim e dizia, queima, queima, queima, queima, queima, queima, queima, queima, queima, queima, queima, Tá amarrado em nome de Jesus! Tá amarrado nada! Eu tô solta! Foi só no segundo grau que eu aprendi a ler, a escrever, e até hoje eu leio de tudo! Placa, letreiro, fichação, outdoor E a frase que eu mais gosto É aquela Sorria Você está sendo filmado Porque aí eu penso, né? Aprenderam tudinho com mamãe Porque a mamãe foi ensinando pra todo mundo Sorria, sorria, ei câmera Sorria, você sorria, diretor Sorria, sorria, sorria, blu Sorria, Vitor! Sorria! Sorria você! Sorria! Sorria! Sorria! Mas... Teve um dia que eu cheguei em casa e mamãe tava muito triste. Estava chorando muito a mamãe. Mamãe olhou para mim e disse... Astrogildo, meu filho! Astrogildo! Você precisa ser forte, Astrogildo! Você precisa ser forte porque... Papai morreu! O que? Papai morreu. Depois disso, fomos para o cemitério. E no cemitério estava uma bagunça, uma algazarra, uma euforia. Tinha umas pessoas que gritavam, tinha umas pessoas que esperneavam. Tinha uma mulher que olhava para o caixão do papai e dizia... Me levo com você Gente Quando eu cheguei perto do caixão do papai Foi batendo uma coisa Um sentimento estranho Que eu Que eu que eu que eu caí na gargalhada papai papai papai Morrer! Papai, então! Morrer! Ali, gente, papai! Olha, papai! Não tá vendo, papai, não! Não, não dá, papai! Ali, não! Quando eu voltei a mim, Estava todo mundo me olhando de um jeito estranho De uma maneira diferente Tinha um senhor Que apontava pra mim E dizia Olha aí Olha aí essa bagunça Isso é um absurdo E isto é lastimável Ele é o filho do falecido E ainda está rindo Mas o que eu posso fazer, gente? Eu nunca chorei na minha vida Porque mamãe Mamãe sempre me ensinou Desde pequenininha assim, ó Mamãe sempre olhava pra mim e dizia Astrogio do meu filho Sorria, sempre sorria O Carranca, de Lil Silveira
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