Editing / 2:52

Valentine: Performance Edit

1080 × 1920

A vertical performance portrait of Valentine for Giramundo. Warm light and textured surroundings carry a sequence of close-ups, with subtle changes in angle and expression shaping the visual progression.

Editing2:51 · Portrait

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É que mulher preta não para nunca, mas se eu pudesse, eu até parava. Me falta ar. Nesse mundo, onde se eu não morrer asfixiada, eu morro pras armas e dói. As marcas do chicote branco que a mim só destrói. No sistema, cis é tema e eu tô fora da pauta por ser fora da curva. No passado, brancos diziam que pretos não tinham alma. No presente, pessoas cis ainda dizem que eu não tenho uma. Atravesso estradas que nunca foram minhas. E se eu ainda tô viva, é porque Oxum que me guia. Ora, eu, minha mãe, não me deixa desistir. Se dependesse da hegemonia, eu nem tava mais aqui. Mostro pra eles revolução e não sei que me engoli. Pois foi com as minhas que eu aprendi que a minha força vem do meu ilê. Eu escrevo pra um dom de ninguém, vilê. mas eu leio a sorte e vejo mortes na numerologia do açoite 111, 80 e que 28 antes fosse só mais um número mas é a minha expectativa de vida em um sistema que só nos humilha a cada dia mais uma entra pra estatística eles me empurram pra prostituição porque sabem que prostituta nas esquinas vira alvo fácil eu tô fora delas e não é por nada não é pra tentar manter meu corpo em resguardo Afinal, eles falam de espaço quântico enquanto quantificam as nossas mortes. O meu corpo não foi feito para seduzir aos pálibos e eu não serei mais o seu suporte porque eu vejo o declínio da sua estrutura cada vez que uma mulher negra, trans, se revolta. Pois se Mauú criou o mundo, sou eu e as minhas que encarregam nas costas. E se parássemos hoje, vocês aí não teriam tempo nem para falar bosta. Aos pretos, eu já falo isso há muito tempo, mas vou repetir agora se eu não caibo. na sua diáspora é porque a sua mente está longe de ser África e está muito mais para a Europa. E me desculpem pelo que eu falo, mas é que eu já estou cansada de ouvir discurso pan-africanista de quem continua com a mente decolonizado e aos que se dizem militantes e ativistas. Eu deixo o meu recado. Já estou exausta de carregar os seus fardos. O teu ativismo da boca para fora é muito fácil. Eu quero ver vocês começarem a praticar no dentro e pararem com esse ativismo barato. Porque se gente preta não para de morrer, se mulheres, negras, trans não param de morrer, então me digam, o teu ativismo anda servindo pra quê? Meu nome é Valentini? Jamais, Valentina. Se quiserem me encontrar, vou mexer num slam. Nunca numa esquina. Axé.
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