Editing / 5:05

Ozazuma: Performance Edit

1080 × 1920

A Giramundo performance edit of Ozazuma in a wooded setting. Low angles, seated views and close portraits place the microphone performance among branches, leaves and patches of daylight.

Editing5:05 · Portrait

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Aí, olha pra mim. Sério, olha pra mim. Tira uma análise fria e calculista. Eu sou tudo aquilo que o sistema não queria, né? Para pra pensar. Eu sou feliz. Eu sou preto. Favelado. Estudado. Autônomo. De bigodinho fininho. Cabelinho disfarçado. Engraçado, eles não esperavam que ia dar certo. E deu. E eu sou um menino brincalhão, pô. Vamos brincar de detetives, então? Vou te fazer uma pergunta. Quem matou Odete Reutemann? Amarildo? Spivete? Marielle? Mepeli? Meu povo? Novamente, de novo? É, né? Só te conta a resposta que passa na novela. Pois é, é por isso que a gente tá descendo a favela em peso. Mas sem esquecer de deixar uma vela ao Zé. Em homenagem a meus ancestrais, que pularam das velas ao mar. Em nome da fé. Axé. Isto é, pois a voz que eu não vejo nem nos livros. É por isso que eu tô aqui vindo mudar. que só ensina a gerar, formar e falsamente educar. Pião zumbi que a mente possa controlar, acreditar em tudo que eles mentem. Mas aí, eu fiz uma grande descoberta. Eu descobri que a cultura abre mente, ensina a resistir e lutar. E eu tô com o puinho encerrado pro ar. Desculpa o palavreado, é que eu falo palavrão igual mal com x. Enquanto isso, eles alienam as imagens que a gente pode ver. Ah, mas e o tempo? Virou dinheiro. Tá escasso, tá contado. Fazer tu perder a apatia quem tá do teu lado. E o controle da besta? Continua sendo o da TV. Desliga só pra você ver o demônio no espelho. Domina a si mesmo e você dominou o seu maior inimigo. Meu amigo, nós fomos tomados de casa. Mas o ódio não dá asa. E nem tem outros anos, dá pra te contar tudo que já aconteceu nessa linda e maravilhosa terra de engenho. Quem dera fosse um sonho, mas eu não sou ingênuo. Meus manos, esqueceram até a história do lá natal. Uau! Isso era um presente? que não onde terra nos infectaram com guerra mas agora povo negro nido pela nova era se for necessário os azul uma berra não vou nos calar e sem o flow diplomata se me exilarem me achem na mata com conteúdo de faca me faça sorrir e venha lutar tenha fé que o santo não vai falhar foi o gumbum que me deu o dom de evoluir a cada batalha deve ser por isso que eu ando cortando que nem navalha e sem a postura e conduta de capoeira quando abaixa a poeira chicote e chibata não foge da minha rasteira. Sem desculpa. É que essa tinta é o sangue. O papel, o próprio corpo. É que eu preferi sacrificar a mim. Não a Gaia. Protegendo a escrita, eu sou poeta. Isso se chama R.A.P. Resistência ao povo. Olha eu aqui, fazendo poesia pro meu povo. E eu nem sei se você entende ou o que sente. Mancha de sangue quente lá no meu solo. Não tava saindo com detergente. Tentaram matar a minha gente. Não é possível que não veja. Abra sua mente. Será que eu? renovarem a câmara de gás pra mata mais, mas sou só mais um rapaz que adora cantar pela paz, como o destoque, a diferença é o cabelo e a pele de superchoque, trazendo meu novo superpoder se chama choque de realidade, cansado de ver choque subindo pra matar minha comunidade, sem nem importar a idade, bem-vindo as verdades da minha cidade, aonde as maldades estavam maiores que a humanidade, mas eu vim da ladeira, sem nomenclatura, Lá tem droga, bebida, boca, bar e puta. Tudo uma destruição, tudo uma barbaridade. Mas eu tento me manter com a bondade que eu vi no olhar e no sorriso da criança. Ainda cheio de esperança. Pra acabar aqui com essas matanças. Que infelizmente a gente tá herdando e levando como herança. Mas aí eu te pergunto, como mudar o passo da dança? Se eu vejo eles investindo mais em munição do que na educação. Ou não, né? Parece que eles querem deixar a gente sem opção. Deve ser por isso que a corrupção vem de arma E a gente paga Com a arma lavada ou infelizmente levada Mas tinha preparado pra batalha Sem direito a falha Tô vendo meus irmãos se perder por causa de palha Tentando achar a resposta do seu nono, cara e coroa Eu tô aqui, querendo conquistar minha coroa E dar um castelo caro pra minha rainha, cara E que o amoridor não se troque fácil Assim como eu faço com as letras Assim como espada e escada Eu me armo pra lutar Mas já pensei em subir aqui pra me jogar. E olha que eu já me joguei. Numa mais profunda e tentei me afogar, mano. Tive sorte. Encontrei uma mulher. Se chamava Iemanjá. E ela disse assim pra mim. Menino, menino, menino. Menino, menino, menino. Pra aqueles que não perecem, a vitória sempre vem aquece. Então, por favor, não esquece. Sempre de lutar e jamais de parar de sonhar. Mas lembre-se. Sonhar é lindo. Mas não se realiza dormindo Eu tive que acordar e buscar os meus sonhos Antes que seja tarde demais E aperte a corda
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